Maria João Bom
Maria João Bom, a mais recente diretora do curso de Design e Tecnologia das Artes Gráficas do Instituto Politécnico de Tomar.
Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Teorias do Design de Comunicação, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Maria João Bom, diretora do curso de Design e Tecnologia das Artes Gráficas, quer atrair mais alunos para a instituição que afirma ser a única, no ensino superior público, “a proporcionar um elevado grau de conhecimento sobre a indústria gráfica”. Para além da vertente formativa sobre as atualizações do mercado, o curso aposta numa forte ligação com as empresas e com os profissionais do sector.

Leciona desde 1999 disciplinas como Design Gráfico, Teoria do Design, Tipografia, entre outras, tendo desenvolvido, no mestrado, um tese sobre o designer Sebastião Rodrigues, por o considerar “uma referência incontornável da cultura gráfica portuguesa”.

Antes de iniciar atividade como docente no Instituto Politécnico de Tomar, deu aulas na ESAD das Caldas da Rainha, na Universidade de Évora e no IADE, tendo sido docente e coordenadora do curso de Design Gráfico da ESTAL, em Lisboa.

Como surgiu a sua nomeação para diretora do curso de Design e Tecnologias das Artes Gráficas?

Surgiu na sequência de ter terminado o meu Doutoramento, na Faculdade de Belas Artes, onde defendi uma tese subordinada ao tema “A praxis e a teoria no design gráfico de Robin Fior”, um trabalho dedicado a um designer sobejamente conhecido de todos, por quem nutria uma grande admiração e que, infelizmente, faleceu pouco antes da tese estar concluída. Sou ainda investigadora integrada do CIEBA, e confesso também que quero passar ao desafio seguinte, o pós-doutoramento, que gostava de desenvolver numa área nova para mim, a dos medias digitais, onde gostava de somar duas valências, a teoria e a história do design, que tem sido o meu objeto de estudo até agora, com os novos media.

Como define atualmente a qualidade do ensino nesta área, no Instituto Politécnico de Tomar?

O curso de Design e Tecnologia das Artes Gráficas tem quase três décadas e foi criado por Guilhermino Pires, um profundo conhecedor da indústria gráfica nacional e além fronteiras. Apesar da sua relativa longevidade continua a ser o único no ensino superior público a proporcionar aos alunos uma aprendizagem em design gráfico e simultaneamente em tecnologia gráfica, disponibilizando vários laboratórios, de offset, digital, serigrafia, tampografia, tipografia e acabamentos.

A escola procurou sempre adequar o curso à realidade social e industrial envolvente, e enriquecer os seus laboratórios apesar da conturbada estrutura macroeconómica. O facto do curso incluir unidades curriculares de webdesign e multimédia, a par das tecnologias gráficas, nomeadamente o ctp, a impressão digital, o software de embalagem, o Artioscad, que é cedido anualmente pela empresa Esko, proporciona aos alunos um contacto com as atuais tecnologias usadas na concepção e produção de materiais gráficos.

O nosso curso é o único, no ensino superior público, a proporcionar um elevado grau de conhecimento sobre a indústria gráfica, promovendo uma forte relação com as empresas em seu redor, que visita sistematicamente com os seus alunos, para que estes possam fazer upgrades regulares dos seus conhecimentos nas áreas técnicas.

A nossa licenciatura em Design e Tecnologias das Artes Gráficas é abrangente ao ponto de englobar o produto impresso, mas também o digital. Eu diria ainda que os nossos alunos estão aptos a abraçar a área criativa e a tecnológica, duma forma sem paralelo em território nacional.

Contam ainda com um mestrado em Design Editorial, têm tido procura nesta área?

O mestrado em Design Editorial está agora na terceira edição, e tem tido uma grande adesão por parte dos alunos que vão concluindo a licenciatura, ex-alunos, mas também de estudantes provenientes de outras escolas. O mestrado em Design Editorial é o único nesta área em território nacional e, é também abrangente como o curso de primeiro ciclo, uma vez que proporciona aos seus alunos a aquisição de valências na área da indústria editorial convencional, mas também ao nível da produção de materiais editoriais digitais.

E porque a multimédia é uma área emergente, que se encontra entre as preferências do público estudantil das áreas artísticas, criámos também uma pós-graduação em Design Multimédia, que começou a funcionar este ano letivo, e que está a correr lindamente. Procuramos, desta forma, dar resposta às necessidades locais e nacionais. A estreita colaboração com o sector produtivo e empregador tem também resultado ainda em diversas colaborações, desde estágios, a visitas de estudo, à organização de seminários, entre outras iniciativas.

No geral, como define o ensino de Artes Gráficas, a nível nacional?

A nível do ensino superior, só existem duas escolas em Portugal que proporcionam aos seus alunos conhecimentos em artes gráficas ou, para utilizar uma expressão mais atual, nas chamadas tecnologias gráficas, a nossa e o ISEC, em Lisboa. O que se passa na nossa escola é que a rápida evolução das tecnologias em termos de equipamento e processos tem levado a grandes revoluções no mercado, e inclusive na estrutura do nosso curso. As evoluções tecnológicas, e a migração dos produtos impressos para digital, têm corrido a um ritmo vertiginoso que temos procurado sempre acompanhar.