Ángel Gallego - Grande tempestade?
Ángel Gallego
Sócio diretor da Kepler Consultores Estratégicos

São muitos os factores económicos, sociais e políticos que nos levam a pensar que estamos perante uma situação de extrema gravidade, por esse motivo todos e cada um de nós deve fazer um esforço para ultrapassar esta “grande tempestade”.
Mais do que nunca, o empresário deve atuar como um capitão que, na ponte de comando, deve dirigir o navio pelo rumo certo, para escapar ao temporal, liderando o trabalho de toda a tripulação com o objetivo de superar e sobreviver à “grande tempestade”.

Todos os trabalhos são importantes e cada elemento deve estar mais do que nunca no seu posto. O capitão na ponte de comando, o engenheiro na sala de máquinas e o grumete nas suas tarefas próprias, sendo que cada um deles deve dar o máximo de si próprio, tanto em conhecimento como em trabalho. Com isto quero dizer que os empresários devem estar na ponte de comando, definir claramente a estratégia adequada, a curto e médio prazo, e transmitir coragem e capacidade de sacrifício a todos os colaboradores para sobreviver a esta “grande tempestade”.

Mas se estas reflexões se devem aplicar aos empresários, na sua generalidade, o que podemos dizer do empresário gráfico, e muito especialmente daqueles que estão vinculados à comunicação baseada em suporte de papel?

Para começar, poderíamos dizer que as empresas orientadas, de uma forma ou outra, para este negócio são a capitania do sector gráfico, sem querer ignorar as outras especialidades gráficas, também importantes Esta capitania iniciou a sua recessão há largos anos, quando a comunicação encontrou uma via alternativa através do suporte eletrónico e digital. A revolução que Gutenberg iniciou com o seu tipo móvel começou a ser engolida, cerca de 500 anos depois, pelas novas tecnologias. Se a isto acrescentarmos a “grande tempestade” a que nos referíamos anteriormente, podemos concluir, sem a mais pequena dúvida, que estamos perante um devastador “tsunami”.

Há mais de dez anos, os empresários gráficos começaram a discutir, nos fóruns empresariais do sector, sobre a necessidade de reduzir o número de empresas e levar a cabo uma concentração, como a que já se tinha realizado noutros países desenvolvidos para, desta forma, ir equilibrando a inexorável lei da oferta e procura, sem prejudicar a rentabilidade das empresas. Mas a realidade não foi nessa direção e, em consequência, encontramo-nos num sector de atividade com as seguintes características:

  • Mercado: excesso de oferta perante a quebra na procura. Esta tendência está longe de encontrar estabilidade e constitui o factor de maior gravidade, a curto e médio prazo, para o sector no seu conjunto;
  • Produto: sem barreiras e, portanto, sujeito a leilões. O preço é o factor decisivo para adjudicar o pedido;
  • Estrutura empresarial: a automatização e falta de concentração prejudicam possíveis soluções.

Aparentemente, no nosso sector não temos sido, nem somos, capazes de reconhecer a realidade a tempo e nós, empresários, possuímos características muito próprias que nos tornam diferentes pelo que, mais uma vez, nos encontramos atrasados relativamente a outros países à nossa volta. Como consequência, as nossas empresas estão em grave perigo de sobrevivência.

Empresário, como sobreviver a este “Tsunami”?

O ambiente mudou radicalmente, mas será que nós, os empresários, nos podemos manter nas mesmas posições, utilizando critérios empresariais semelhantes aos que utilizávamos nos tempos de bonança? É evidente que não! Mas podemos reagir, e são muitas as possibilidades que temos ao nosso alcance. Não podemos esquecer que vivemos tempos de crise, rodeados de graves ameaças, mas também de excitantes oportunidades.

Ninguém tem uma varinha mágica, nem ninguém vai resolver os nossos graves problemas. Nós, os empresários, somos líderes e temos a responsabilidade de encontrar uma solução razoável. Está a nosso cargo reagir e tomar decisões!