No mundo das artes gráficas desde os 16 anos, Manuel Ribeiro lidera uma empresa que se tem destacado no mercado e que sobrevive com relativa facilidade a uma crise que já fechou portas a muitas empresas concorrentes. Localizada no Prior Velho, em Lisboa, a MR Artes Gráficas aposta na qualidade e no cumprimento de prazos, uma exigência que Manuel Ribeiro tem imposto ao longo da sua vida. Em entrevista à La Prensa, o empresário, acompanhado pela filha, Nádia Ribeiro, revelam como conseguem manter o negócio estável e promissor, em tempos difíceis, e mostram-se confiantes no futuro.
O Sr. Manuel Ribeiro faz parte da geração que ingressou nas artes gráficas desde muito cedo. Como foi o seu percurso?
Entrevista: MR Artes Gráficas

MR (Manuel Ribeiro).Comecei a trabalhar aos 16 anos em serigrafia, numa gráfica em Lisboa. Cerca de um mês depois, o impressor de offset despediu-se e os patrões perguntaram-me se eu queria trabalhar com a máquina. Eu respondi que sim, mas que não a sabia por em funcionamento… deram-me umas luzes e assim comecei…

Qual era a máquina?

MR.Era uma Rotaprint. Ainda tenho comigo a primeira que comprei. Trabalhei nessa casa até ao serviço militar, em 63 fui para Moçambique, onde estive até 66. Quando regressei, fui trabalhar para a secção de reprografia da Standard Eléctrica, onde fiquei cerca de 14 anos. Em 1978 pedi demissão, nessa altura já tinha comprado uma máquina usada, também Rotaprint, que coloquei num espaço cedido por um amigo, para onde ia aos fins de semana e nos tempos livres. Entretanto a IBM ficou minha cliente (que se mantém) e a própria Standard Eléctrica, hoje Alcatel, que também continua a ser minha cliente. Tinha ainda uma parceria com a Filográfica. Cerca de um ano depois, mudei para umas instalações na zona dos Olivais Norte, e comprei uma Rotaprint nova.

Em tão pouco tempo, o negócio correu muito bem…

MR.Como fornecedores, o lema desta casa sempre foi cumprir prazos e fazer o melhor que sabemos. Para além disso, na altura as margens eram muito boas, e eu também trabalhava muito. Entretanto comprei uma Adast nova e uma guilhotina e fiquei com um parque simpático. A IBM, a Standar Eléctrica e mais uns quantos clientes asseguravam todo o trabalho. Cerca de seis anos depois, esse espaço já não era suficiente e adquiri o atual. Nessa altura já tinha um sócio, embora a sociedade não tenha corrido da melhor forma, e acabei por comprar a totalidade do negócio. Entretanto, ao longo da minha vida, tudo o que ganhámos foi sempre para investir.

Quando é que começou a comprar equipamentos mais avançados?

MR. Depois da Adast, comprei uma Ryobi, a uma cor. Entretanto adquiri uma máquina de uma cor, usada, à Grafopel, e acabei por comprar outra igual. Mais tarde tive uma SORMZ, a duas cores, nova, e depois acabei por vender tudo, com exceção da SORMZ, e por comprar uma Heildelberg Speedmaster 74, a 4 cores. Era uma boa máquina, só que não tinha ainda a torre de verniz, e perdíamos muito tempo nesse processo. Depois comprei a Speedmaster 52, já com torre de verniz, o que veio facilitar muito o nosso trabalho. Entretanto, em 2008, comprei a Speedmaster CD XL75 nova e vendi a 74 à Grafopel. Mas com a 74, já imprimia muito plástico e com a XL 75 aumentei a produção.

Apostou na diversificação de produtos, inclusive na impressão em plástico?
MR Artes Graficas

MR.Comecei a imprimir plástico, porque fui desafiado por um cliente que imprimia em Espanha mas que não estava satisfeito com os resultados. Trouxe-me o material, eu experimentei e tudo correu bem.

Entretanto, fui ganhando clientes na área do PVC, vinil, eletrostático e de outros derivados de plástico. Por essa altura, percebi que tinha que comprar uma máquina UV.

Em 2007 fui ver a XL 75 à Ipex, que por acaso estava a imprimir em plástico, e era exatamente o que eu precisava. No ano seguinte já a tinha instalada. Esta máquina imprime em UV e também em convencional, mas a mudança, em termos de lavagem, acaba por ser morosa e por isso estou praticamente a imprimir em UV, a não ser que apareça um trabalho grande para convencional.

E apesar da crise não está arrependido do investimento que fez?

MR. Nada arrependido. Comprámos esta máquina porque não tínhamos capacidade para imprimir tudo o que nos pediam, e a ideia era passar a fazer três turnos.

Penso que foi um investimento feito na altura certa, porque mais tarde era capaz de ter alguma dificuldade em fazê-lo. Por outro lado, muitos colegas gráficos vêm cá imprimir.

Que percentagem da produção da MR vem de outras gráficas?

Nádia R.É uma percentagem razoável, cerca de 30 a 40 por cento, em termos de plástico. Mas também temos uma percentagem significativa, em papel.

MR.Imprimimos PVC, polipropileno e vinil, e também PVC mole, com muitas horas investidas em aprendizagem e aperfeiçoamento. Estamos a imprimir com bons resultados e, por isso, somos recomendados por outras empresas.

Desde novembro/dezembro que estamos com uma encomenda bastante grande de impressão em PP, para Espanha, que já foi renovada para janeiro/fevereiro e com possível continuidade para março/abril e final do ano. Estamos a trabalhar 24 horas por dia.