O setor gráfico está a sofrer uma profunda transformação que redefine o seu modelo de negócio, visão e relacionamento com o cliente. Os desafios são inúmeros – tecnológicos, ambientais, humanos e económicos – e, como sublinha a Ricoh, estão todos interligados, obrigando as empresas do setor a evoluir. Esta é uma das conclusões da terceira edição do Ricoh We CoCreate, que reuniu importantes empresas gráficas de Espanha e Portugal para partilhar conhecimentos, experiências e estratégias para garantir um futuro próspero para o setor.

Na sua edição de 2026, cerca de uma centena de atores-chave da indústria gráfica ibérica abordaram os desafios do setor na era dos dados e a importância de operar num ambiente informado, inteligente e conectado, capaz de impulsionar a produtividade e a qualidade sustentável, onde as pessoas possam contribuir com o seu máximo valor.

A nova realidade do mercado exige uma visão diferente, em que o cliente – interno, externo ou investidor – esteja no centro de cada decisão. A impressão já não é feita por necessidade, mas porque proporciona valor acrescentado ao cliente. Assim sendo, o sucesso dependerá da capacidade de cada empresa oferecer uma solução diferenciada, sustentável e digitalmente avançada.

Sustentabilidade e governação: de opção a exigência

A sustentabilidade deixou de ser um objectivo desejável para passar a ser uma exigência regulamentar. As novas regulamentações europeias exigirão que as empresas relatem o seu impacto ambiental e social com a mesma transparência com que apresentam as suas demonstrações financeiras.

Num setor historicamente sensível ao uso de papel e a processos de produção intensivos, esta transição passa pela adoção de modelos circulares, pela medição da pegada de carbono e pela garantia da rastreabilidade dos materiais.

Modelos de negócio sem espaço para ineficiência

O novo ambiente competitivo não tolera a ineficiência. Numa era de margens apertadas, as empresas precisam de otimizar processos, acelerar a sua digitalização e tirar partido de tecnologias que impulsionem a produtividade sem comprometer a qualidade.

A visão e a estratégia empresarial tornam-se alavancas essenciais. As empresas já não podem simplesmente responder à procura: precisam de gerar valor, antecipar necessidades e oferecer soluções personalizadas.

Do analógico ao digital: a verdadeira transformação

A mudança da impressão offset para a digital não garante, por si só, uma empresa digital. A transformação exige uma arquitetura de dados robusta, sistemas conectados e uma mentalidade de melhoria contínua. A automatização será fundamental: 50% do volume de impressão na Europa já é contratado online, confirmando que o futuro reside nos modelos híbridos, nos quais as gráficas tradicionais adotam estratégias orientadas por dados como chave para as operações, a tomada de decisões e o desenvolvimento tecnológico.

Embora as chamadas “fábricas totalmente automatizadas” (sem intervenção humana) ainda estejam longe de se tornar uma realidade, a tendência aponta para processos cada vez mais automatizáveis e eficientes, onde a digitalização redefine a cadeia de valor.

Pessoas: o diferencial

No meio da automação, o talento humano torna-se o fator de diferenciação. As organizações terão de atrair e formar profissionais com novas competências – desde a ciência de dados às vendas digitais – e dotá-los de ferramentas baseadas em IA, IoT e analítica avançada, capazes de potenciar o seu trabalho e manter o equilíbrio entre tecnologia e criatividade.

Da mesma forma, as novas gerações, especialmente a Geração Z, exigem imediatismo, sustentabilidade e experiências personalizadas, o que requer a adaptação das estratégias de comunicação, serviço e design a uma cultura nativa digital. Em última análise, o futuro da impressão não é medido pelo volume de papel, mas pela capacidade de gerir e aproveitar os dados tanto para produzir eficientemente como para gerar elementos de comunicação relevantes que suscitem a resposta desejada do utilizador final.

A transformação parte dos dados – dados de clientes, processos, materiais e consumo – e a sua gestão inteligente determinará quais as empresas que irão liderar a próxima década da impressão gráfica.

Os dados são o novo papel em que o futuro do setor será impresso, resume Casado. Só as empresas… Aquelas que compreenderem que a impressão já não é uma necessidade, mas sim uma ferramenta valiosa, poderão aproveitar esta oportunidade histórica para se reinventarem.